O medo que nos domina

Posted on Dezembro 16th, 2008 by flep, under Eu.

Sabe, as vezes me pego analisando experiências pelas quais já passei, e que tanta gente também experimenta. Hoje de manhã mesmo, enquanto acordava embaixo do meu chuveiro, me peguei teorizando sobre um deles: nosso medo de nos relacionarmos.

É incrível como praticamente todo ser humano já passou ou vai passar por isso. Tudo começa num interesse por alguém, evolui para uma paixão, pinta aquela vontade de ver sempre, de fazer tudo junto com a pessoa, e derrepente estamos amando. Mas daí, conforme o tempo passa, na maioria das vezes, descobrimos alguma coisa que não combina. Algo importante pra um dos dois, alguma divergência, alguma incompatibilidade… e sofremos.

A separação, a dor da perda, a saudade. Entramos num turbilhão de pensamentos e sentimentos, odiamos ter passado por isso, não conseguimos entender… “era tão perfeito”. E é aí, que acontece. A revolta, defesas aparecem, dizemos para nós mesmos “não vou passar pos isso de novo”, e nos fechamos num casulo impenetrável, e afastamos qualquer um tente se aproximar.
É, ou não, exatamente assim que acontece? É. Agora, o mais contraditório de tudo: continuamos sonhando, lá no fundo, de que vamos encontrar “a pessoa”.

O que estou tentando dizer aqui? De que isso é o certo, de que se na maioria das vezes - e é sim, na grande maioria das vezes, quebraremos a cara - não dá certo, devemos então evitar? Não, a menos que você queira uma vida incompleta.

É impossível, no mundo dual em que vivemos, sermos completamente felizes, sozinhos. Faz parte da nossa natureza, amar e querer ser amado. “Mas o que fazer então?”, pergunta nossa mente inferior, incapaz de entender os sentimentos. A resposta é simples: continue tentando.

Quantas vezes, quando crianças, caimos no chão tentando dar o primeiro passo? Quantas vezes estudamos para conseguir tirar notas boas na escola? Quantos dias do ano trabalhamos, para comprarmos um bem que tanto queremos? Quantas vezes Thomas Edison teve que tentar até acertar a fórmula para que hoje desfrutemos da energia elétrica iluminando nossas noites (foram mais de 4 mil)? Então porque, justo para algo tão importante, forte e intenso, como achar uma pessoa que combine conosco, tentamos algumas vezes, e por não saber lidar com as desilusões, ou não saber enxergar a verdade por trás das aparências, nos deixamos levar por nossos medos?

“Acordai”, disse eu para mim mesmo no dia em que finalmente entendi. Somos bilhões neste planeta, o que nos faz pensar que seria tão fácil? Alguns realmente tem sorte, ou melhor, carma suficiente para atrair a pessoa certa desta vida para perto de sí logo de início, mas a grande maioria, não tem.
Não desista, lute contra seus medos, suas defesas, suas incertezas. Há uma grande chance de justamente quando você estiver totalmente cego, uma pessoa compatível passar por você sem ser notada. “E porque?”, você me pergunta. Ora bolas, é porque a vida é uma grande escola! Estamos aqui para aprender coisas novas, aprender a lidar com tudo isso que envolve nossa vida, e o “sentir” é uma das principais matérias.

Ame, o amor. Ame o sentimento, o “poder sentir” algo forte por alguém, e poder sentir que recebe o mesmo em troca. Amar a pessoa vai ser consequência, vai ser natural, vai ser de verdade. Se não for ela, não faz mal. Continue amando o amor. Continue procurando, tentando, se entregando. Não há outra forma de encontar aquilo que tanto procura, e que mesmo que evites por uma vida toda, na derradeira hora do desencarne, irás te arrepender, pois haverá uma matéria a qual pulaste.

Não impeças que teus sentimentos brotem, não se impeça de sentir saudade, de dizer que está apaixonado, de fazer loucuras, de sorrir, de chorar, de amar.
Por você mesmo, não sabote a sua própria felicidade.

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